A crítica à falta de reação do governo de São Paulo no combate à crise econômica marcou o debate “SP: Alternativas para o enfrentamento da crise”, promovido pelo Diretório Estadual do PT-SP, nesta sexta (17). O evento no sindicato dos Engenheiros reuniu cerca de 300 militantes do PT e de partidos de esquerda, dirigentes de vários partidos, prefeitas (os) e vices, parlamentares e jornalistas. Dando continuidade aos eventos que buscam construir um programa alternativo de enfrentamento à crise, o painel do período da manhã, debateu a conjuntura econômica nacional e internacional. No período da tarde, com lideranças dos partidos do campo popular progressista, discutiu-se uma agenda política para enfrentamento da crise.O presidente estadual do PT, Edinho Silva, lamentou a reação ruim do governador José Serra às propostas do PT para o enfrentamento à crise. “Em vez de incorporar o diálogo no Estado, que melhor reagiria a medidas contra a crise, o governador saiu ao ataque contra nossos prefeitos e lideranças”, lembrou o líder petista. A ex-ministra Marta Suplicy citou medidas do governo Lula que amenizaram o impacto da crise no país e criticou o modo como o governador Serra age no estado. “Enquanto Lula aumenta recursos do Bolsa Família para aumentar a renda e fazer a economia circular, eles fazem o oposto, contingenciando exatamente os recursos para a área social”, disse Marta. Ela defendeu a candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência, pelo consenso que conquistou no partido e por ser a mulher que mais conhece cada projeto do governo Lula. “É uma mulher com uma visão moderna do mundo em que vivemos e capaz de inovar num governo, em vez de apenas dar continuidade ao que já foi feito”.O líder da bancada na Assembléia Legislativa, Rui Falcão, ressaltou a importância de agregar aliados na luta para tirar o bloco demo-tucano do governo de São Paulo. “A cada iniciativa do governo Lula para atacar a crise, há uma contra em São Paulo”, afirmou. Falcão apontou os índices críticos da educação no estado e questionou: “Como eles têm coragem de abrir a boca para criticar o governo federal?”Líder mundialO senador Aloizio Mercadante (PT-SP) deu uma palestra em que revelou a dimensão catastrófica da crise econômica que atinge o mundo. Também mostrou os motivos porque o presidente Lula emerge como a principal liderança política do mundo, influenciando o modo como os países reagem contra a crise. Comparando a atual crise com a recessão de 1929, que levou à 2ª. Guerra Mundial, Mercadante mostrou que os números, hoje, são mais graves, mas que a reação é mais progressista. Em vez da xenofobia, do protecionismo e do nacionalismo que acometeu o mundo na década de trinta, há uma diferença na qualidade da reação coordenada atual, em parte por causa da intervenção de Lula, ao liderar o G20, grupo de países emergentes. “Obama apenas reconheceu que a liderança que emerge como grande interlocutor mundial chama-se Luis Inácio Lula da Silva”, disse.“O Brasil era parte do problema, e principal problema entre países da América Latina, e agora é parte da solução ao deixar de ser vítima do FMI para se tornar credor e influenciar nas condicionalidades para empréstimos”, avaliou o senador. Ele acredita que, assim como foi um dos último países a entrar na crise, o Brasil pode ser o primeiro a sair dela. Mercadante também criticou a postura do PSDB no estado. “Enquanto Obama distende o diálogo com Cuba e com a Venezuela, a direita brasileira e o PSDB defende a guerra fria para o continente. A solução está em mais integração e diálogo entre nossos vizinhos”, atacou. Ele resumiu que, em meio à maior crise bancária do mundo, com vários países estatizando seus bancos, a resposta de Serra em São Paulo foi privatização de seu único banco fomentador da economia estadual. “Eles continuam insistindo no ideário neoliberal, quando o resto do mundo está abandonando”, espantou-se. AliadosO deputado federal Milton Monte (PR-SP) também lamentou que Serra não veja o debate da oposição de forma propositiva, mas prefira encará-lo de forma antagônica. “Não vamos resolver uma crise dessa envergadura, se não tivermos propostas concretas, como o presidente Lula tem feito no país”, afirmou. Em sua opinião, a experiência do governo Lula deve ser copiada por outros países, porque mostrou que deu certo. “Achei que não ia viver para ver os EUA defenderam estatização de bancos!”, afirmou Monte.O secretário de Comunicação do PCdoB-SP, Rovilson Robbi Brito, acredita que o debate não pode ser apenas como sair da crise, mas como combater os principais responsáveis por ela. “No Estado que se tornou o único bastião do neoliberalismo, temos aqui os legítimos representantes daqueles que geraram essa crise”, disse o comunista. Segundo ele, o governo Serra se reduz a um discurso vazio de desenvolvimentismo, “sem vigor e sem criatividade para aplicá-lo no Estado. “A vitória de Lula foi fundamental para interromper a erosão do Estado Nacional que a direita vinha promovendo, enquanto São Paulo tornou-se um entrave para o pleno desenvolvimento do Brasil”, disse. O deputado Carlos Pereira, do recém criado Partido da Pátria Livre (PPL), aproveitou o debate petista para fazer sua primeira participação pública como dirigente partidário. Ele convidou os petistas para o ato solene de lançamento do PPL, no dia 21, no auditório Elis Regina, no Anhembi. Ele avaliou como fundamental a unidade dos partidos, com o PT, para a vitória em 2010, no estado. Segundo ele, o PSDB foi o agente do Consenso de Washington no Brasil, que pregava o fim do controle social sobre os monopólios econômicos, e acabou levando à crise sistêmica do capitalismo. “Foram privatizadas no Brasil, durante os governos devastadores dos tucanos, 120 empresas estatais”, lamentou. Pereira também comemorou a união das centrais sindicais contra a hipótese primeira levantada pelas entidades patronais e pela grande mídia, de reduzir salários “para que os trabalhadores pagassem pela crise”. Como demonstrou, a hipótese recessiva foi o único receituário apontado pelo empresariado paulista e pelo tucanato para o enfrentamento da crise. O contingenciamento de orçamento e o corte de investimentos é a única saída vista pelo governo de São Paulo. Jeito petistaO senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ressaltou os méritos do governo Lula ao tirar o Brasil de um isolamento, ao fazer a economia brasileira interagir com cinco continentes, evitando a dependência dos países que quebraram. Citando os diversos talentos que surgem nas artes e no futebol, o senador falou de seu otimismo com a capacidade do brasileiro criar e resistir às crises. “Os governos precisam compreender as vantagens da uma renda mínima não condicional para a formação de um mercado consumidor interno”, discursou, mencionando uma de suas maiores bandeiras, que se concretizou, em parte, com o programa Bolsa Família.A prefeita petista de Cubatão deu um depoimento contundente de como recebeu a cidade, agora em 2009, e o tamanho do esforço que faz para mostrar a diferença. Ela contou que, nesses cem dias, já enfrentou grandes incêndios, deslizamentos de terra, enchentes e seqüestro de recursos da Prefeitura. Numa das cidades mais ricas do país, com R$ 809 milhões de orçamento para uma população de apenas 120 mil habitantes, ela enfrenta os piores índices de desenvolvimento humano da região, com enormes índices de tuberculosos, analfabetos e desempregados. “Temos servidores que recebem salários de R$ 45 mil reais ou se aposentaram com esse salário e R$ 326 milhões de folha de pagamento”, revelou. Em poucos meses, já conseguiu reduzir dramaticamente os gastos com fornecedores. “Somos instrumentos de mudança no nosso país”, afirmou.
Fonte: Site PT/ São Paulo
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